Esses últimos dois dias foram um mistura de sentimentos e pensamentos, uma luta feroz entre o bom senso e a esperança. Um exercício de abstração de fatos, falas e gestos alcançando a beira do limite entre o possível (mesmo que absurdamente) e a barreira do absurdo.
Frio. Além de tudo isso, o frio estava intenso.
Casacos, cachecol, lençol, edredom, chocolate quente, whisky, meias... nada disso adiantava, meu frio é diferente. Meu frio não é a simples falta de calor, mas sim de calor humano. Meu frio ao certo não sei se é sinônimo ou sintoma da solidão, mas sei que é alimentado pelos ventos do desespero, brisa da covardia, gelo do coração.
Meu frio é mais doloroso ainda porque andei do lado do calor que queria, mas não podia ter-lo para mim, mesmo que às vezes e sem querer houvesse toques sem intenções outras (assim quero acreditar e devo acreditar).
Pensei que poderia ser o calor que era procurado e receberia o que procuro, mas não fui e não recebi, fui apenas um substituto temporário e incompleto. Ao certo, não sei se isso é egoísmo meu ou se fui vítima do egoísmo do meu sol/lua.
-Meu Deus! Além da noite, onde vejo a Lua, agora sinto o calor do sol durante o dia. Minha vida se resume hoje a isso, migalhas de calor de um sol direcionado a outro e a beleza da lua que espera outro São Jorge.
A pergunta persiste:
Será que esses momentos de troca de calor, sendo incompletos e temporários vale a pena?
Eu estou em busca da resposta ainda...
sexta-feira, 2 de julho de 2010
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Ainda sente algum frio?
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